sábado, 20 de novembro de 2010

Verde, amarelo, azul... em branco.

“O Brasil é a bola da vez!” Onde foi mesmo que você leu essa frase recentemente? Talvez em  algum texto sobre economia, geopolítica, organismos multilaterais e coisas assemelhadas. Infelizmente, não foi sobre F1.

Quando a saga de triunfos brasileiros foi inaugurada nos anos 70 com Emerson Fittipaldi, ninguém imaginava que a partir dali estaria se formando uma tradição. Mas eis que a tradição se formou. E para sempre vamos citar nossos grande campeões. A explicação para o sucesso deles? Talento, oportunidades e instinto de sobrevivência aguçado. Cada um em sua época soube brilhar com a intensidade que o espetáculo requeria. Hoje, seus herdeiros lutam para reviver aqueles momentos de glória eterna. 

Mas voltar ao protagonismo da cena na F1 será um grande desafio para os “continuadores”. E não é de hoje que o Brasil passa em branco na história recente da categoria. Depois de Senna ter vencido o Gp da Austrália no dia 07/11/1993, levamos sete anos para triunfar outra vez. O “herói improvável” foi Barrichello e sua épica corrida de Hockenheim. Curiosamente, naquele mesmo dia (30/07/00), ao vencer pela primeira vez na F1, Rubinho surgia a 10 pontos do líder do mundial, Michael Schumacher. Mas quem se animou (depois de ter se emocionado à beça) frustrou-se por não ver “a coisa” indo adiante. 

Além de não conquistar um campeonato há 19 anos, na última década, o Brasil passou “despercebido” em 2001, 2005 e neste 2010. Nenhuma vitória pra contar história. 

Mas, justiça seja feita, chance houve. Em 2008, por pouco Felipe Massa não arremata o campeonato. E justamente em casa. Já Barrichello teve, em 2009, a melhor oportunidade de sua longa carreira. Perdeu para o melhor trabalho de companheiro.

Para 2011, a odisséia brasileira nas pistas terá mais um capítulo. 

Calçando sapatos novos nesta semana, Massa não escondeu o entusiasmo com a borracha italiana. A Pirelli está de volta à F1 e com ela, a esperança de Felipe voltar a competir em melhores condições – nem que seja no duelo particular com Alonso.

Para Rubens Barrichello, as incógnitas serão bem menores do que quando assinou contrato com a Williams pela primeira vez. Estando por dentro de tudo o que se tem feito para o carro do ano quem vem, Rubinho acredita numa temporada melhor. Mas isso significa voltar ao pódio? E lá no alto? Não dá pra saber nem com as revelações bombásticas desses gurus aloprados que de agora até 31 de dezembro vão encher o saco aparecendo na TV, na Internet, nas Revistas e em tudo quanto é lugar para dizer suas profecias-batata. 

No que tange a Lucas e Bruno, não dá pra colocá-los em condições de protagonizar nada, apenas tópicos de Fóruns de Internet. Que pelo menos consigam evoluir em suas carreiras. 

Para que não haja outro “apagão” do Brasil nas pitas, que todos os nossos pilotos tenham mais sorte e melhores equipamentos. E assim que eles possam provar, preto no branco, se de fato são capazes de levar adiante a história verde-amarela na Fórmula 1. A conferir.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Outro Moleque

Desde as conquistas de Michael Schumacher, a F1 se pergunta se algum dia outro piloto poderá se assemelhar ao alemão que se tornou sinônimo de recorde na categoria. 

Naturalmente, após 2006, Fernando Alonso apareceu como aquele que teria chances de reeditar a Era Schumacher. Talento, capacidade e tempo de carreira lá estavam. Era preciso achar o ambiente adequado com a estrutura certa. O caminho, a McLaren. Aí, um moleque cruzou sua vida.
Lewis Hamilton foi a pedra na sapatilha de Alonso. 

O estreante que surpreendeu o espanhol – e o mundo todo. Por não admitir sequer a possibilidade de ser confrontado no mesmo time – tal qual Schumacher que se impunha politica e tecnicamente – Alonso “teve” que deixar a equipe inglesa. Mas não largou de lado o sonho. 

Durante décadas, superar, ou mesmo igualar, o feito de Juan Manuel Fangio era algo que não se podia alcançar. Ayrton Senna foi o piloto que melhor representou aquela busca. E não escondia de ninguém que esse era seu objetivo como piloto.

Quando Schumacher impôs seu domínio, combinou ambição, talento, e toda a subserviência da Ferrari a seus propósitos. O objetivo de Schummy casava bem com os da Ferrari. 

Contemplando o recorrido, Alonso aguardou. Esperou que Kimi Raikkonen deixasse o caminho livre. Na descendência direta de cockpit, Alonso estava literalmente no lugar de Schumacher.
A mesma equipe, a mesma ambição, um talento exaltado pelo meio da F1 e a coincidência de projetos. A Ferrari queria voltar a fazer o campeão do mundo. Depois de 2008 ter batido na trave, decidiu a Scuderia que era hora de trazer um piloto de primeira linha, alguém com capacidade já aprovada. 

E o mundo estava por assistir a consagração do primeiro ano da Nova Era: a Era Alonso. Dessa vez, as coisas estavam saindo até melhores que o espanhol supunha. Logo de cara, no primeiro ano, Alonso simplesmente chegava à última prova da temporada na liderança do campeonato. Seu rival mais próximo era um bom, consistente e “evolutivo” Mark Webber. Ou seja, nada que tirasse o sono de quem foi apontado como responsável pela [primeira] aposentadoria de Michael Schumacher.

Mas havia outro menino-prodígio. Não era um estreante, mas estava lá. Rápido, meio inconseqüente, imprevisível. O tipo de piloto que é capaz de não levar em conta a fama de seus adversários. Vai pra cima, pelo simples prazer de fazer o que mais gosta no mundo.

Vettel, o terceiro colocado no mundial até a prova de Abu Dhabi , arrebatou a multidão, roubando a cena e o título de Fernando Alonso. O espanhol estudou e se comportou como quem vive um papel para o qual se preparou muito. Talvez tenha lhe faltado ensaiar mais. Principalmente a parte de lidar com coisas inesperadas como uma Renault forte um Petrov aguerrido.
Quem sabe seja mesmo Vettel o verdadeiro herdeiro e sucessor de Schumacher? Aquele que vai escrever seu nome trilhando o caminho de seu antecessor, que, igualmente alemão, por certo, deverá se sentir mais feliz por ver sua dinastia continuada por alguém de sua “linhagem”.  Uma Era Vettel? Acredito que  ninguém possa fazer um prognóstico seguro sobre isso. Apenas conjecturar livremente.



 Resta a Fernando Alonso se contentar com a fama de mau perdedor que lhe é justa pelo que se viu. Seu sonho não foi aniquilado, apenas interrompido outra vez por um moleque de muito talento.

sábado, 13 de novembro de 2010

Prognóstico

Enquetes por todos os lados! Assim tem sido marcada a semana de decisão do titulo da Fórmula 1 Temporada 2010. Além dos sites e blog afeitos ao tema, até mesmo os jornais comuns tem promovido em seus espaços a pergunta: “quem será o campeão?”.
Não é pra menos. Ter quatro pilotos na decisão de um campeonato não acontece sempre. A bem da verdade, na F1, não tinha acontecido nunca [antes na história]. E todo mundo tem feito suas apostas.
Entre os entendidos – alguns adoram se passar por “entediados” só pra dar aquele “ar de superior” – tem gente que se arrisca a prognosticar. A base do que escrevem e/ou falam está ou no que aconteceu durante o ano; ou no que vem acontecendo na reta final; ou, ainda, em aspectos históricos.
Sem contar as subjetividades a que cada um tem direito, não é muito seguro vaticinar coisas nessa decisão tão interessante. Vamos lá:

1)    Alonso é o líder- tem a experiência de outras decisões, uma capacidade já testada e aprovada pela conquista de dois títulos; entretanto, não tem o melhor equipamento para a corrida. E ainda existe a McLaren que ameaça engrossar a parede entre Ferrari e RBR.

2)    Webber tem o grande carro do ano – tem o menor índice de abandonos entre os ponteiros; contudo, tem contra si um companheiro ultra veloz que resolveu andar tudo no final do campeonato e que é sujeito a chuvas e trovoada na hora de aceitar o tal jogo de equipe. Se fizer, vai ser na última curva do ano, pra fechar com bosta de vaca a decisão da temporada. Bosta de Touro, melhor dizendo.


3)    Vettel tem o carro de Webber e o talento de um Sub-Schumacher. Embora os pontos não lhe sejam confortáveis, após a lambança da Bélgica, Sebastian tem superado sistematicamente seu companheiro. Porém, a prova mais contundente de o que sua irregularidade pode provocar é a presença de Mark Webber na frente e com chances melhores que ele.

4)    Hamilton é o que se espera dele. O que complicou foi a McLaren “achar” que seu “canudinho” resolveria tudo e daria a seus pilotos condições de andar forte sempre em todas as pistas. O contraponto é a já famosa afobação que ao mesmo tempo, rende lances incríveis tanto quanto patéticos na pilotagem. Como a matemática não lhe é favorável, bem que pode se dar com ele aquele ditado: “de onde menos se espera daí é que não vem nada mesmo”. Mas Hamilton vai correr mais solto do que banqueiro protegido por Ministro do STF. Então, tudo pode acontecer. Vai ser um espetáculo a parte, pelo simples prazer de pilotar como se “não houvesse amanhã”.

Por isso, dar palpites é legal. Mas nada que possa sustentar em tom professoral uma aposta. Achar que apenas questões racionais e plenamente explicáveis garantem ao analista um encadeamento lógico de argumentos que permite fazer um prognóstico plenamente confiável pode muito bem reservar surpresas desagradáveis. Na F1 também pode aparecer o tal Sobrenatural de Almeida ® que bem pode ser o Homem do Pirulito ou qualquer outro “fator exógeno”. O mais seguro, por tanto, é vencer a ansiedade deixando bem claro que aposta e torcida podem até ter semelhanças, mas não são a mesma coisa.
Minha torcida: Mark Webber. Minha aposta: Fernando Alonso.

sábado, 6 de novembro de 2010

Viciados em trevas


Sob o céu carregado e ameaçador de São Paulo, a luz brilhou. O talento de um jovem piloto deixou um facho luminoso sobre o asfalto úmido de Interlagos. Seu feito já está na história. É a façanha mais improvável da temporada de 2010. Mas nem todos conseguem enxergar com nitidez a glória fulgurante de Hulkenberg. O motivo está bastante claro: é preciso falar (mal) de Barrichello. 

O companheiro de Nico ficou numa boa 6ª posição, dentro das expectativas que a equipe criou durante toda a temporada. Diante do feito de Hulkenberg, estranhamente, esses mesmos de visão embotada, fitaram os olhos não na primeira posição, mas, sim, no piloto que fecha a terceira fila
.
O problema não está necessariamente nas “críticas” feitas a Rubinho da parte desses mesmos “cegos de ocasião”, mas, sim, na incapacidade dessa gente em valorizar plenamente o que  Nico Hulkenberg fez:  recompensou o ingresso de cada pessoa que foi ao autódromo – com chuva e tudo. Fez valer o tempo diante da TV. De minha parte, fez valer deixar o bobó de camarão esfriar no prato no restaurante lotado enquanto acompanhava as imagens (só as imagens,porque não dava pra ouvir nada) inacreditáveis daquele carrinho simpático guiado de forma ensandecidamente espetacular por mais um representante da terra do chucrute. 

Nico não “superou” Rubinho apenas. Isto já seria algo digno de aplauso se levarmos em conta a experiência do piloto brasileiro na categoria, naquela pista e na chuva; ele botou mais de 1 segundo no carro do ano com Sebastian Vettel a bordo. 

Para exaltar Hulkenberg na justa medida, não é necessário “diminuir” Barrichello daquele jeitinho escroto com os mesmos “argumentos casseteplanetarianos” de sempre. 

É tempo de se ocupar com as coisas melhores e de valor inestimável. Nico Hulkenberg fez um bem tremendo ao esporte. Exaltando o aspecto arrebatador que o automobilismo ainda pode produzir – mesmo enfiado em tantas jogadas financeiras – Hulk ofuscou a todos de forma inapelável. 

Recado final do “profeta-ciborgue” aos ignorantes: contemplai a luz, ó, obscurecidos de entendimento. E deixai que vossas trevas se apartem para o abismo. No dia da ressurreição gloriosa da Williams, olhem para aquele Cavaleiro do Cavalo Azul e Branco. E sede vós curados de todo ódio, ira, raiva, irreverência improdutiva, maledicência, discórdia, porfia e inveja.  

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Confissões de um "observador"



 Faz tempo que a F1 realmente não me emociona. Talvez eu tenha aprendido a curtir a coisa de forma não convencional ou diferente. Isso não significa que é melhor torcer desse jeito. O esporte tem suas energias por vezes inexplicáveis. E reações não "programadas" saem tão ao natural que nos surpreendemos com nosso comportamento em determinado momento. Foi assim em 2008. Nunca fui torcedor de Massa, mas aquelas circunstâncias foram realmente diferentes. Fiz um texto sobre o ocorrido e mandei pro orkut. Alguns, se identificaram com ele. Reapresento a "peça" de minhas confissões para reavivar o clima que só Interlagos pode provocar. A seguir:


"Após anos dedicados a vida de torcedor das pistas, ele resolvera não ter desilusões e condicionou-se à vida de “observador” de corridas. Criada a “proteção” contra o sofrimento, tudo agora se tornara mais tranqüilo, mais ameno e até mais claro. Assim, o “observador” começou a se interessar por mais informações, detalhes, arquivos e entrevistas que aumentassem sua satisfação de fã do automobilismo. Tudo caminhava bem; já era a terceira temporada na “nova vida” e a relação “custo/benefício” estava “otimizada.”  
                Aí veio a corrida de Interlagos, o GP do Brasil, edição 2008. Sentado assistindo a televisão e grudado na transmissão do rádio, o “observador” buscava sempre mais “detalhes”. As insuportáveis especulações sobre a chuva já tinham sido assimiladas. Começa a prova. Muita gente “abanando” os carros... Ficava a impressão de que alguma coisa diferente estava pra acontecer a qualquer momento. Corrida animada, circuito legal, grande presença de público e alguns duelos interessantes.
                A condução cautelosa de L. Hamilton deixava o “observador” mais “seguro de si”, imaginando que era uma questão de tempo para que o inglês pudesse, com méritos, sagrar-se campeão do mundo.
                A chuva volta no final da prova e tudo muda muito rápido. Faltando três voltas, o “observador” já estava de pé (como se estivesse na antiga geral do Maracanã vendo uma daquelas arrancadas espetaculares do Zico). Duas voltas pro final: o “observador”, aos berros, não acredita no que vê, manda às favas suas “convicções” , a fleuma de “leitor de relatório de telemetria” e pula: ”Vai, Massa, vaaaaaaaaaaaaaai!!!!”. Já nem mais se reconhecia e vibrava muito.
                Última volta do campeonato: o velho coração de torcedor, que estava quietinho no canto dele, recebe um duro golpe ao ver a Toyota se arrastando (Burti foi quem chamou a atenção, pois Galvão, “o torcedor” não enxergava mais nada) e o L. Hamilton voltando à condição de início da prova. Final de temporada. Ao “observador” restou “esconjurar” a recaída, reafirmar as crenças pra 2009 e uma lição: “os deuses da F1” são caprichosos e traiçoeiros: dão com um alemão e tiram com outro!"