sábado, 23 de outubro de 2010

Duelo sem Holofotes

Não dá pra cobrar de ninguém que preste atenção numa briga que não esteja envolvendo pilotos de Ferrari, McLaren e Red Bull nessa reta final de campeonato. É mais do que normal que todos olhem pra parte de cima da tabela, façam prognósticos e escolham pra quem torcer. 
Porém, existe uma disputa um pouco abaixo da “crista da onda” que tem lá seus atrativos. O duelo Williams X Force India. 

Em 2009, o time inglês, empurrado pelo motor Toyota, obteve o dobro de pontos de seu adversário em questão. Mas, no final da temporada passada, a Force India, com motor Mercedes, era o carro em ascensão enquanto a Williams vislumbrava um horizonte de incertezas no seu reatamento de laços com a Cosworth. 

O início de 2010 mostrava uma situação mais auspiciosa para a equipe de Vijay Mallya. Mas, à exceção do GP da Bélgica, os últimos resultados obtidos pela Force India são bem menos encorajadores, culminando com a classificação do treino oficial para o primeiro GP da Coréia, onde nenhum de seus pilotos conseguiu vaga no “Q3”. 

Do lado da Williams, os resultados de pista têm melhorado consistentemente. Talvez pela performance mais produtiva do calouro Hulkenberg que parece de fato ter conseguido andar em ritmo mais próximo de seu companheiro Rubinho, às vezes o superando. Mas é evidente que as evoluções de temporada trouxeram à equipe melhores condições de disputa. Nesse particular, parece que a Force India progrediu menos; daí porque podemos perceber a proximidade entre elas na tabela de classificação dos Construtores: diferença de míseros 2 pontos a favor da turma de Vijay.

A disputa entre a força emergente e a tradição que busca reviver os bons tempos talvez rendesse até uma tese para sociólogos, cientistas políticos e historiadores – a reavivarem  termos como “colonizados e colonizadores”, mas, convenhamos, essa é uma nuance pouco inspiradora quando o assunto é velocidade.

Alguns podem argumentar que o fato de a Williams não fazer frente à Mercedes e à Renault no mundial de Construtores, mostra o fracasso. E estar medindo capacidade com a Force India seria a “confirmação” do declínio de uma outrora equipe grande. Mas é preciso lembrar que, a despeito das dificuldades financeiras, FranK Willias inicia nova fase e é preciso dar tempo para medir o potencial desse novo casamento recém-celebrado.

Naturalmente que essa refrega entre as equipes se refletiria também no mundial de pilotos. Neste caso, falamos de Adrian Sutil e Rubens Barrichello. O bom alemão e o veterano brasileiro correm com objetivos diferentes. Enquanto Adrian quer uma chance melhor para a seqüência da carreira, Rubens sabe que não lhe restam tantas corrida a se somarem a já impressionante marca de mais de 300 GPs disputados. Mas o instinto de piloto só permite o gosto pela competitividade na pista. Barrichello lidera um projeto de revigoramento na Williams. Ao passo que Sutil já não esconde de ninguém a vontade de ocupar outro cockpit. O que pode resultar disso, ainda não se sabe. Seja como for, é mais um bom duelo a ser observado principalmente se o piloto para quem você está torcendo na disputa pelo título eventualmente se der mal e abandonar a luta.

Em tempo: a vantagem de Sutil sobre Rubinho é de 6 pontos. Barrichello pode nem estar preocupado (ou empolgado) com tudo isso. Mas até que não seria nada mau ficar a frente do alemão - mais um que cruza seu caminho.

No mais, os fãs de F1 sempre conseguem descobrir mais coisas para as quais se “deva” prestar atenção.  Até mesmo na luta interna dos pilotos da HRT. Tem gosto pra tudo.

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